A queda geral da audiência de todas as produções dramatúrgicas roubou a cena em 2008. Com números rolando ladeira abaixo no ibope, muitas tramas estiveram na corda bamba na Globo.
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Como Ciranda de Pedra, que foi encurtada, e A Favorita, que no início teve uma das piores audiências do horário das oito nos últimos anos.
Mesmo assim, a trama de João Emanuel Carneiro, autor estreante no horário, disparou na preferência dos editores de jornais e portais que publicam o conteúdo de TV Press. Além da história ter vencido como Melhor Novela, conquistou a eleição em mais quatro categorias.
Uma delas foi Melhor Atriz para Patrícia Pillar, que destilou todo o sarcasmo da atroz Flora, numa atuação que entra para a história como uma das mais carismáticas vilãs das novelas.
Mas foi Dan Stulbach quem mais se destacou como protagonista este ano. Na pele do sofrido Léo da minissérie Queridos Amigos, o ator comoveu com uma interpretação cautelosa ao resgatar valores simples, como a amizade do personagem com os amigos de faculdade. Ponto também para a autora Maria Adelaide Amaral, eleita na categoria Melhor Autor.
Na contramão das boas interpretações e da lente ágil e sempre atenta de Ricardo Waddington, eleito Melhor Diretor, com A Favorita, Silvio Santos mais uma vez decepciona com uma equivocada investida na dramaturgia. Ainda que recém-estreada, Revelação, a trama assinada por Íris Abravanel, mulher de Silvio, pecou pela falta de coerência e foi eleita a Pior Novela.
O excesso de cenas picotadas, numa edição que não tem um fio condutor, traz a sensação de que a direção de Henrique Martins, eleito Pior Diretor, tinha o fracassado objetivo de trazer agilidade à história. Mas a intenção se desfocou e fez com que o texto capenga e as atuações inexpressivas da maioria do elenco contribuíssem para que a produção ficasse quase incompreensível.
Num ritmo mais lento e quase preguiçoso, o seriado Ó Paí Ó, vencedor da categoria Melhor Série e Seriado Nacional chamou a atenção pela explícita baianidade. O texto sempre criativo de Guel Arraes foi temperado com ainda mais ironia pelas boas atuações. Nas cenas rodadas nos antigos paralelepípedos do Pelourinho a ginga baiana esteve presente desde o charme de seus quitutes até o sotaque arrastado e composto com eficiência pelo elenco afinado.
Novela
Melhor: A Favorita
2º melhor: Queridos Amigos
Puro favoritismo
A estréia de João Emanuel Carneiro no horário das oito com A Favorita surpreendeu. A trama começou quase medíocre, na indefinição da mocinha e da vilã. No entanto, a revelação de Flora como a assassina do folhetim causou um alvoroço. Parte do público que torcia pela personagem da Patrícia Pillar começou a se sentir enganado. Mas, aos poucos, a história foi se revelando com subtramas recheadas de suspense e conseguiu fisgar a atenção do público com atuações comoventes de atores como Mauro Mendonça e Lilia Cabral. Mais um motivo para a produção ter sido eleita a Melhor Novela pelos editores dos jornais que utilizam o conteúdo editorial de TV Press.
Pior: Os Mutantes - Caminhos do Coração
2º pior: Revelação
Efeito mutante
Seres fantásticos, personagens de ficção científica e muitos efeitos especiais. Os ingredientes eram até atraentes em Os Mutantes - Caminhos do Coração. Mas o autor Tiago Santiago errou a mão nas mirabolantes invenções de seres fantásticos ¿ o que chegou a se refletir na decrescente audiência. Dezenas de personagens saíram e entraram da trama ao longo do ano, dificultando a compreensão da história e impedindo uma identidade com o público.
Atriz Revelação
Melhor: Nathália Dill
2º melhor: Carolinie Figueiredo
Da pá-virada
Ser odiada pode ser um trunfo para uma atriz iniciante. Na pele alva da diabólica Débora, em Malhação, Nathália Dill disse a que veio e foi eleita Atriz Revelação. Empinou o nariz na pele da vilãzinha do folhetim e mostrou personalidade ao interpretar uma adolescente psicopata com diversas nuances. Chegou a evidenciar momentos de fragilidade sem cair na pieguice e fez com que a vilã da trama adolescente se sobressaísse na produção de novatos.
Ator Revelação
Melhor: Miguel Rômulo
2º melhor: Leonardo Medeiros
Início estelar
Miguel Rômulo teve de conviver com assuntos interplanetários para chamar atenção. E conseguiu. Na pele do Shiva Lênin, em A Favorita, o estreante, eleito Ator Revelação, passou meses contracenando com o lunático Augusto César, do experiente José Mayer. E, diante de todas as esquisitices de seu núcleo quase extraterrestre, Miguel conseguiu uma atuação centrada, convincente e emocionante na medida certa.
Ator
Melhor: Dan Stulbach
2º melhor: Murilo Benício
Essência saudosista
O verdadeiro sentido de família não está no sangue, mas na identificação entre as pessoas.
Ao resgatar a amizade de amigos de faculdade do personagem, Dan Stulbach compôs um dos papéis mais marcantes de sua carreira. Na pele do bem-sucedido Léo, um personagem cético, inquieto e anarquista, Dan conduziu com clareza as intenções mais camufladas do personagem, em uma interpretação comovente que o elegeu Melhor Ator.
Pior: Sérgio Abreu
2º pior: Caetano O'Maihlan
Evidente fiasco
Sérgio Abreu nunca foi um ator que se sobressaísse em seus papéis secundários na TV.
Seu último trabalho como o "gay" Tiago, em Paraíso Tropical, chegou a ser correto, mas sequer atraiu holofotes. Agora, como o Lucas, protagonista de Revelação, do SBT, quando ele necessariamente precisa ser o centro das atenções numa trama, Sérgio evidencia uma constrangedora e opaca atuação. Prova que não tem carisma para convencer como um mocinho.
Atriz
Melhor: Patrícia Pillar
2º melhor: Mariana Ximenes
Maldade sedutora
Os cachos louros e os ternos olhos azuis indicam fragilidade. Na contramão de seus papéis meigos e açucarados, Patrícia Pillar impressionou como a maquiavélica Flora em A Favorita. Em sua primeira vilã na TV, a atriz explicitou o cuidado sutil com a composição da personagem nos pormenores. Sorrisos sarcásticos, olhares infames e muita disposição para convencer como a loura má resultaram num impecável trabalho da brasiliense, eleita com larga vantagem como Melhor Atriz.
Pior: Bianca Rinaldi
2º pior: Rosanne Mulholland
Sem tempero
Bianca Rinaldi já entrou para o time de primeiro escalão de atores na Record. Mas até agora não conseguiu convencer como a mocinha Maria em Os Mutantes, trama que ainda é a menina dos olhos da emissora. Com uma voz sussurrada e recursos cênicos piegas, a atriz tem mostrado uma atuação exagerada e quase robotizada numa heroína que deveria ter sido mais verossímil desde o início da história.
Melhor Atriz Coadjuvante
Melhor: Leandra Leal
2º melhor: Lilia Cabral
Biscoito fino
As "pin-ups" nunca estiveram tão em alta nos últimos tempos na dramaturgia quanto na trama Ciranda de Pedra, da Globo. Mérito da talentosa Leandra Leal com sua impagável Elzinha, que lhe deu o título de Melhor Atriz Coadjuvante. Mesmo numa produção com uma audiência bem aquém do esperado, a atriz conseguiu se sobressair com a personagem que divertia a cada cena. Com uma minuciosa composição e trejeitos de diva do cinema dos Anos Dourados, a atuação de Leandra foi um dos poucos pontos altos da história.
Melhor Ator Coadjuvante
Melhor: Iran Malfitano
2º melhor: Jackson Antunes
Sensibilidade apurada
Iran Malfitano nunca chamou muita atenção na TV desde que estreou em Malhação, há 13 anos. Mas bastou sair do armário com um personagem para se revelar como ator. Na cútis fina do desmunhecado Alfredinho, Iran deita e rola na comédia. E consegue o mérito raro de não cair no humor pastelão com um personagem efeminado. Numa medida exata entre a emoção, o riso e o drama, Iran conquistou com merecimento a eleição de Melhor Ator Coadjuvante.
Autor
Melhor: Maria Adelaide Amaral
2º melhor: João Emanuel Carneiro
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